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Qualidade de dados em seguradoras: riscos e critérios

A qualidade de dados em seguradoras deixou de ser uma preocupação restrita à área de tecnologia. Ela influencia diretamente a subscrição, a precificação, a regulação de sinistros, os relatórios, o atendimento ao segurado e a capacidade de utilizar inteligência artificial com confiança.

O tema ganha ainda mais relevância com o avanço da IA no mercado segurador. Um estudo da CNseg em parceria com a EY, apresentado pela Revista Apólice, reuniu 26 empresas que representam 50,7% do mercado analisado. Entre as participantes, 80% afirmaram já utilizar alguma solução de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, integração com sistemas legados e confiabilidade dos modelos permanecem entre os principais desafios.

Essa relação revela um ponto central: uma tecnologia avançada não compensa dados incompletos, duplicados, desatualizados ou sem origem conhecida. Quando diferentes sistemas apresentam versões conflitantes da mesma informação, a inconsistência pode atravessar toda a operação antes de aparecer em forma de retrabalho, atraso, dificuldade de auditoria ou decisão pouco confiável.

Por isso, antes de perguntar qual ferramenta adotar, a seguradora precisa avaliar se os dados que sustentam suas decisões estão completos, consistentes, atualizados e rastreáveis. Neste artigo, você entenderá onde os problemas de qualidade aparecem, quais impactos geram, como medir a maturidade da estrutura atual e quais caminhos podem apoiar uma evolução mais segura e consistente.

Principais pontos sobre qualidade de dados em seguradoras

  • A qualidade dos dados influencia subscrição, precificação, sinistros, relatórios, atendimento e aplicações de inteligência artificial.
  • Ter um grande volume de informações não significa possuir dados confiáveis, especialmente quando existem duplicidades, divergências e fontes conflitantes.
  • Na LGPD, a qualidade dos dados é um princípio aplicável ao tratamento de dados pessoais.
  • No Open Insurance, a qualidade também aparece entre os princípios que orientam as sociedades participantes.
  • A modernização do core system pode organizar a arquitetura, mas não substitui regras de qualidade, responsáveis e monitoramento.
  • Antes de escolher uma ferramenta, a seguradora precisa identificar em qual processo ou decisão a inconsistência já gera custo, risco ou retrabalho.
  • Qualidade de dados deve ser tratada como processo contínuo, e não apenas como uma etapa de saneamento durante a implantação de um sistema.
  • O primeiro avanço consiste em definir quais dados são críticos, qual sistema funciona como fonte oficial e como os erros serão identificados e corrigidos.

Por que a qualidade de dados se tornou prioridade para as seguradoras?

O investimento em inteligência artificial cresce no mercado segurador brasileiro. Um estudo da CNseg em parceria com a EY, apresentado pela Revista Apólice, reuniu 26 empresas que representam 50,7% do mercado analisado. Entre as participantes, 80% informaram já utilizar alguma solução de IA.

A expectativa indicada no levantamento era de que os investimentos chegassem a aproximadamente R$ 2,6 bilhões em 2026. O mesmo estudo, porém, mostra que a adoção tecnológica ainda convive com dificuldades relacionadas à integração de sistemas legados e à confiabilidade dos modelos.

O cenário revela um ponto central: contratar uma tecnologia de inteligência artificial não garante que ela produzirá resultados confiáveis.

Modelos de precificação, mecanismos de detecção de fraude, assistentes generativos e sistemas de apoio à subscrição dependem das informações utilizadas em treinamento, consulta, recuperação ou validação. Quando essas informações estão incompletas, duplicadas, desatualizadas ou fora de contexto, a aplicação pode reproduzir o problema em uma escala maior.

As perspectivas da Deloitte para o setor de seguros em 2026 reforçam essa necessidade ao relacionar a expansão da IA ao fortalecimento das bases de dados, à modernização tecnológica e ao alinhamento entre arquitetura, segurança e estratégia.

A pergunta, portanto, não deve ser apenas “qual tecnologia de IA a seguradora deve adotar?”. Antes disso, é necessário responder:

Os dados que alimentam essa tecnologia são completos, consistentes e rastreáveis o suficiente para sustentar uma decisão?
Sua equipe consegue identificar quais sistemas alimentam as decisões mais críticas da operação?

Mapeie as fontes, integrações e pontos de dependência que podem comprometer qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados.

Mapear gargalos de dados

O que é qualidade de dados em seguradoras?

Qualidade de dados em seguradoras é a condição em que as informações utilizadas pela operação atendem aos requisitos necessários para a finalidade em que serão aplicadas.

Isso envolve dados relacionados a:

  • Segurados.
  • Produtos.
  • Cotações.
  • Subscrição.
  • Apólices.
  • Endossos.
  • Cobrança.
  • Sinistros.
  • Resseguro.
  • Corretores e parceiros.
  • Relatórios regulatórios.
  • Modelos analíticos.
  • Aplicações de inteligência artificial.

Não basta possuir um grande volume de informações.

Uma seguradora pode armazenar milhões de registros e ainda enfrentar baixa qualidade de dados quando:

  • A mesma informação possui valores diferentes em dois sistemas.
  • O cadastro de um segurado está duplicado.
  • Um dado de risco não foi atualizado.
  • Campos obrigatórios estão vazios.
  • Alterações não possuem histórico.
  • A origem de uma informação não pode ser reconstruída.
  • Os sistemas utilizam formatos ou nomenclaturas incompatíveis.
  • A equipe precisa conciliar planilhas antes de gerar um relatório.
  • Não existe uma fonte oficial para resolver divergências.

Qualidade de dados e governança de dados são a mesma coisa?

Não.

A governança define políticas, responsabilidades, controles e critérios sobre como os dados devem ser tratados. A qualidade representa o resultado prático dessa estrutura.

Em termos simples:

Governança de dados

Define quem responde pelo dado.
Estabelece políticas e regras.
Organiza acessos e responsabilidades.
Determina fontes oficiais.
Orienta o ciclo de vida da informação.

Qualidade de dados

Verifica se o dado está correto.
Mede se as regras são atendidas.
Identifica erros, divergências e duplicidades.
Avalia se os sistemas mantêm consistência.
Monitora se o dado permanece adequado à finalidade.

Uma empresa pode possuir uma política formal de governança e continuar operando com dados inconsistentes. Da mesma forma, pode executar correções pontuais sem possuir uma estrutura capaz de impedir que os problemas retornem.

Para aprofundar essa diferença, veja o guia sobre governança de dados em seguradoras.

Quais são as principais dimensões da qualidade de dados?

A qualidade não deve ser tratada como uma percepção subjetiva. Ela precisa ser traduzida em critérios que possam ser verificados.

Dimensão Pergunta prática Exemplo na operação
Completude Os campos necessários estão preenchidos? Apólice sem informação obrigatória sobre o risco
Precisão O dado corresponde à realidade? Capital segurado registrado com valor incorreto
Consistência O mesmo dado coincide entre os sistemas? Endereço diferente no core e no CRM
Validade O dado respeita formato e regra de negócio? Código de produto inexistente ou data inválida
Atualidade A informação foi atualizada no prazo necessário? Cadastro utilizado na renovação sem atualização recente
Unicidade Existem registros duplicados? Um mesmo segurado cadastrado mais de uma vez
Integridade As relações entre os dados foram preservadas? Sinistro sem vínculo correto com a apólice
Rastreabilidade É possível reconstruir origem e alterações? Ausência de registro sobre quem mudou uma informação
Adequação O dado é apropriado para aquela finalidade? Variável sem contexto utilizada em um modelo de IA

Nem todas as dimensões terão o mesmo peso em todos os processos.

Na subscrição, precisão, atualidade e adequação podem ser prioritárias. Em relatórios regulatórios, consistência, integridade e rastreabilidade ganham maior relevância. Em uma aplicação de IA, também é necessário avaliar representatividade, contexto, limitações e possíveis distorções da base.

Por que o tema ganhou urgência no mercado segurador brasileiro?

Três movimentos elevaram a qualidade de dados de uma questão técnica para uma prioridade estratégica.

1. Adoção de inteligência artificial em escala

A IA já apoia diferentes etapas da cadeia de seguros:

  • Atendimento.
  • Triagem de solicitações.
  • Classificação de documentos.
  • Subscrição.
  • Precificação.
  • Detecção de fraude.
  • Análise de sinistros.
  • Previsão de comportamento.
  • Apoio à área de tecnologia.

Essas aplicações não dependem apenas de modelos avançados. Elas precisam receber dados adequados, contextualizados e atualizados.

Um sistema pode executar corretamente o que foi programado e ainda gerar uma resposta inadequada porque a informação de entrada estava incompleta ou porque diferentes fontes apresentavam versões conflitantes.

Para compreender aplicações, riscos e critérios de supervisão, veja também o conteúdo sobre inteligência artificial em seguros.

2. Aumento da complexidade dos riscos

Riscos climáticos, cibernéticos, econômicos e comportamentais exigem uma leitura mais detalhada da exposição.

Nesse contexto, o desafio não está apenas em coletar mais dados. Está em garantir que eles possam ser combinados e interpretados com segurança.

Uma base extensa, mas sem contexto, pode criar uma falsa percepção de precisão. Quanto maior a complexidade do risco, maior a necessidade de compreender:

  • De onde a informação veio.
  • Quando foi atualizada.
  • Qual regra foi aplicada.
  • Quais limitações existem.
  • Em qual decisão ela pode ser utilizada.
  • Se existem grupos ou cenários sub-representados.

3. Exigências regulatórias e de proteção de dados

O artigo 6º, inciso V, da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais estabelece a qualidade dos dados como princípio aplicável ao tratamento de dados pessoais.

A lei assegura aos titulares exatidão, clareza, relevância e atualização dos dados conforme a necessidade e a finalidade do tratamento.

Isso não significa que qualquer inconsistência operacional se transforme automaticamente em infração à LGPD. A aplicação da lei depende da natureza do dado, da finalidade e do contexto. Entretanto, quando dados pessoais são utilizados, a seguradora precisa considerar esse princípio em seus processos e controles.

No Open Insurance, a Resolução CNSP nº 415/2021 também inclui a qualidade dos dados entre os princípios que devem orientar as sociedades participantes.

Em 2025, a Susep instituiu uma Política de Governança de Dados aplicável à própria autarquia. Embora a medida não crie uma obrigação equivalente para todas as supervisionadas, demonstra a importância institucional atribuída à integridade, à qualidade e à segurança das informações.

Para uma visão mais ampla dos movimentos tecnológicos e regulatórios, veja as tendências do mercado de seguros.

Onde a baixa qualidade de dados aparece na operação?

O problema raramente surge com o nome “baixa qualidade de dados”. Ele aparece como atraso, retrabalho, divergência, exceção manual ou dificuldade para explicar uma decisão.

01

Subscrição e precificação

Dados desatualizados ou incompletos podem comprometer a leitura de exposição e exigir validações adicionais antes da aceitação do risco.

Informações divergentes sobre o mesmo risco.
Ausência de histórico consolidado.
Dados externos sem origem documentada.
Dependência de consultas manuais.
Regras diferentes entre produtos ou canais.
Dificuldade para explicar quais informações influenciaram uma análise.
02

Gestão de apólices

A gestão de apólices costuma tornar a fragmentação mais visível porque conecta produto, emissão, endosso, cobrança, atendimento e sinistro.

Quando cada área trabalha com uma versão diferente, alterações podem não chegar a todos os pontos da operação. Um endosso registrado no sistema de emissão, por exemplo, pode não ser refletido imediatamente em cobrança ou sinistros.

Esse cenário aumenta a necessidade de conferência e dificulta determinar qual informação deve prevalecer.

03

Sinistros

Divergências entre o sistema de emissão e a regulação de sinistros podem gerar:

Solicitações repetidas de documentos.
Conferências manuais.
Dificuldade para validar coberturas.
Atrasos na análise.
Inconsistências no histórico.
Problemas na comunicação com o segurado.

A automação não corrige essa base sozinha. Se o fluxo automático consultar uma informação incorreta, a inconsistência apenas avançará com mais velocidade.

04

Relacionamento com corretores e canais digitais

Cadastros duplicados ou desatualizados afetam a experiência de corretores, parceiros e segurados.

Uma mesma pessoa pode aparecer com informações distintas em diferentes canais, dificultando:

Personalização.
Renovação.
Atendimento.
Comunicação.
Consolidação de relatórios comerciais.
Identificação do histórico completo.
05

Compliance e relatórios regulatórios

Quando a equipe precisa reconciliar manualmente diferentes sistemas antes de gerar um relatório, existe uma dependência operacional que merece atenção.

O risco não está apenas no erro final. Está também na dificuldade para demonstrar:

A origem do dado.
As transformações aplicadas.
A versão utilizada.
Quem realizou alterações.
Quais validações ocorreram.
Como uma divergência foi tratada.
06

Iniciativas de IA

Modelos de precificação, detecção de fraude, análise de risco e aplicações generativas podem utilizar dados de treinamento, bases de consulta ou mecanismos de recuperação de informação.

Quando essas fontes possuem inconsistências, o resultado pode apresentar:

Classificações imprecisas.
Respostas contraditórias.
Recomendações baseadas em dados antigos.
Dificuldade de explicação.
Comportamentos diferentes entre canais.
Reprodução de distorções existentes na base.
Escolha uma decisão crítica e tente rastrear todos os dados utilizados por ela.

Se o caminho depender de consultas manuais ou conhecimento individual, há um sinal claro de que integração e rastreabilidade precisam evoluir.

Mapear integração e rastreabilidade

Quais são os impactos de dados fragmentados ou desatualizados?

Quando a qualidade não é tratada como estrutura, os impactos tendem a se acumular.

Decisões menos confiáveis

A informação pode parecer completa na interface final e ainda carregar erros gerados em etapas anteriores.

Sem rastreabilidade, a equipe vê o resultado, mas não consegue reconstruir facilmente o caminho que o produziu.

Risco de discriminação em decisões automatizadas

Quando o tratamento envolve dados pessoais, a LGPD também estabelece o princípio da não discriminação.

Dados históricos podem refletir distorções, lacunas ou padrões inadequados para uma nova finalidade. Se essas limitações não forem identificadas, modelos e regras automatizadas podem reproduzi-las.

Por isso, aplicações com maior impacto sobre segurados exigem atenção proporcional a:

  • Qualidade da base.
  • Finalidade.
  • Representatividade.
  • Documentação.
  • Explicabilidade.
  • Monitoramento.
  • Supervisão humana.

Custo operacional pouco visível

Cada conciliação manual, correção de cadastro e conferência entre sistemas consome tempo de diferentes áreas.

Esse esforço nem sempre aparece como uma linha específica do orçamento, mas pode ser percebido em:

  • Horas gastas com retrabalho.
  • Atrasos.
  • Chamados internos.
  • Correções próximas ao fechamento.
  • Dependência de pessoas específicas.
  • Projetos de IA que não avançam além do piloto.
  • Integrações que exigem manutenção recorrente.

Maior exposição operacional e regulatória

Dados inconsistentes dificultam a produção de relatórios confiáveis, a resposta a auditorias e a reconstrução das informações utilizadas em uma decisão.

Isso não significa que toda divergência represente uma infração. Significa que a ausência de controles, registros e responsáveis reduz a capacidade de identificar, explicar e corrigir problemas.

Ponto de atenção

Quando subscrição, precificação ou relatórios dependem de informações fragmentadas, a limitação pode permanecer pouco visível nos primeiros ciclos. Com o aumento do volume ou da complexidade, tende a aparecer como retrabalho, decisões menos precisas e dificuldade de auditoria.

Erros mais comuns na prática

Erro recorrente Por que acontece Consequência possível Como reduzir o risco
Adotar IA antes de organizar os dados A pressão por resultado antecipa a tecnologia Aplicação com baixa confiabilidade e perda de credibilidade Mapear e avaliar as fontes antes de escolher a ferramenta
Não definir responsável pela qualidade A responsabilidade fica implícita entre tecnologia, negócio e compliance Inconsistências permanecem sem tratamento Definir responsáveis técnicos e de negócio
Integrar sistemas sem padronização Cada sistema utiliza formato e nomenclatura próprios Os dados continuam divergentes após a integração Definir padrões e regras antes de conectar as fontes
Não documentar a origem dos dados O foco fica apenas na entrega funcional A equipe não consegue explicar uma informação usada na decisão Registrar origem, transformações e destino
Tratar saneamento como projeto único A correção resolve o efeito, não o processo que produziu o erro A inconsistência tende a reaparecer Criar monitoramento contínuo
Validar apenas o relatório final Os erros não são verificados durante o fluxo O problema é identificado depois de gerar impacto Aplicar controles na entrada, transformação e saída
Escolher tecnologia antes do diagnóstico A ferramenta é tratada como resposta independente do contexto Novo sistema sem conexão com processos e responsabilidades Mapear decisões, riscos, integrações e prioridades primeiro

Como medir a qualidade de dados em seguradoras?

A medição deve começar pelos dados que sustentam processos ou decisões críticas.

Não é necessário criar dezenas de indicadores de uma única vez. O mais importante é escolher métricas relacionadas ao risco e à finalidade de cada informação.

Indicadores que podem ser acompanhados

Percentual de campos obrigatórios preenchidos.
Número de registros duplicados.
Percentual de divergências entre sistemas.
Quantidade de valores fora do padrão.
Percentual de informações atualizadas dentro do prazo.
Número de erros identificados depois da conclusão do processo.
Tempo médio para corrigir uma inconsistência.
Percentual de dados críticos com origem documentada.
Quantidade de exceções tratadas manualmente.
Reincidência de erros já corrigidos.
Percentual de integrações com validação automática.
Número de relatórios que exigem conciliação manual.
Uma regra de qualidade deve possuir, pelo menos:
01 Dado ou campo avaliado.
02 Critério esperado.
03 Indicador.
04 Limite aceitável.
05 Frequência de monitoramento.
06 Responsável.
07 Procedimento para correção.
08 Registro da exceção.

Exemplo prático

Considere que o endereço do risco precisa coincidir entre o sistema de cotação e o sistema de emissão.

A regra pode ser estruturada assim:

  • Dado: endereço do risco.
  • Critério: consistência entre cotação e emissão.
  • Indicador: percentual de divergências.
  • Verificação: antes da emissão.
  • Responsável: área definida pela seguradora.
  • Tratamento: bloquear o fluxo ou encaminhar para análise.
  • Evidência: registro da divergência e da correção.

Esse formato transforma uma percepção genérica de qualidade em um controle executável.

Quando manter, evoluir ou buscar uma solução especializada?

Nem toda seguradora precisa substituir sua arquitetura. O caminho depende da extensão do problema, da criticidade dos dados e da capacidade interna.

Considere manter a estrutura atual quando…

Os dados críticos possuem fontes oficiais.
As divergências são monitoradas.
Os indicadores permanecem dentro dos limites definidos.
As alterações possuem histórico.
Os relatórios podem ser reconstruídos.
O número de exceções manuais está sob controle.
A estrutura atual suporta o volume e os projetos previstos.
Existem responsáveis por identificar e corrigir problemas.

Considere uma evolução gradual quando…

Os problemas estão concentrados em poucos sistemas ou processos.
A operação ainda mantém controle sobre as exceções.
Uma padronização de cadastro pode reduzir grande parte das divergências.
Uma integração específica eliminaria redigitação.
É possível definir uma fonte oficial sem substituir todo o ambiente.
Um caso de uso delimitado permite testar a evolução.

Considere uma solução especializada quando…

Múltiplos sistemas atualizam a mesma informação.
Os dados se duplicam ou divergem entre áreas.
Relatórios dependem de conciliação recorrente.
A origem dos dados críticos não está documentada.
O volume de exceções cresce com a operação.
Existe um programa de IA dependente dessa base.
O Open Insurance exige conexões que a arquitetura atual não sustenta com segurança.
A equipe interna não possui capacidade disponível para estruturar a evolução.
O problema ultrapassa um fluxo isolado e envolve a arquitetura.

Comparação entre os caminhos possíveis

Alternativa Quando pode funcionar Limitação principal Impacto possível Critério para avançar
Planilhas e controles manuais Controles pontuais, temporários e de baixa criticidade Escala limitada e dependência humana Retrabalho e menor rastreabilidade O volume ou a criticidade supera o controle manual
Saneamento pontual Correção de um problema específico Não impede que a causa produza novos erros Ganho temporário A operação depende continuamente de dados atualizados
Integração ponto a ponto Poucos sistemas e fluxos simples Cada nova conexão amplia a manutenção Dependências difíceis de sustentar O número de integrações cresce
Padronização e validação de fluxos Fontes conhecidas e problemas concentrados Pode não resolver fragmentação estrutural Melhora localizada Diferentes áreas continuam usando fontes conflitantes
Arquitetura ou plataforma integrada Múltiplos sistemas, dados dispersos e necessidade de escala Exige projeto estruturado de integração ou migração Maior centralização, controle e rastreabilidade A arquitetura já limita decisões ou projetos estratégicos

Nenhuma alternativa produz qualidade automaticamente.

Mesmo uma plataforma integrada depende de:

  • Saneamento.
  • Regras.
  • Responsáveis.
  • Testes.
  • Monitoramento.
  • Gestão de mudanças.
  • Tratamento de exceções.
  • Participação das áreas de negócio.

Critérios para avaliar a maturidade dos dados

Antes de escolher um caminho, avalie:

Avalie a maturidade da estrutura de dados da operação
0/8

Como uma arquitetura orientada a dados sustenta a IA em seguros?

A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de analisar riscos, identificar padrões, classificar documentos, apoiar a precificação e automatizar etapas do atendimento.

No entanto, o resultado depende da estrutura que fornece contexto, qualidade e rastreabilidade aos dados.

Uma arquitetura orientada a dados conecta:

  1. Fontes operacionais: apólices, produtos, sinistros, cobrança e atendimento.
  2. Integrações: APIs, eventos, arquivos e demais mecanismos de troca.
  3. Regras de qualidade: validação, padronização, deduplicação e consistência.
  4. Governança: responsáveis, fontes oficiais, acessos e evidências.
  5. Camadas analíticas: relatórios, modelos, indicadores e aplicações de IA.
  6. Monitoramento: falhas, exceções, atualização e desempenho.

Sem essas conexões, cada iniciativa pode exigir uma nova rodada de preparação manual.

É nesse contexto que o Proteo, plataforma de tecnologia para seguros, pode ser avaliado.

Baseado na tecnologia InsureMO, o Proteo pode compor uma arquitetura integrada para produtos, canais, APIs e fluxos operacionais. A configuração adequada depende dos sistemas existentes, do modelo da seguradora, das integrações necessárias e do escopo do projeto.

A adoção de uma nova plataforma não elimina a necessidade de avaliar os dados legados.

Antes de qualquer integração ou migração, é necessário identificar:

  • Registros duplicados.
  • Informações incompletas.
  • Formatos incompatíveis.
  • Regras diferentes entre sistemas.
  • Históricos que precisam ser preservados.
  • Dados sem origem conhecida.
  • Exceções ainda não documentadas.

Quando o cenário permite uma evolução progressiva, APIs e camadas de integração também podem conectar sistemas existentes sem exigir a substituição imediata de todo o ambiente.

Para aprofundar essa decisão, veja:

A limitação está em um fluxo específico ou já atravessa toda a arquitetura?

Avalie se o problema pode ser tratado de forma pontual ou se já exige uma visão mais ampla de dados, integrações, processos e sistemas.

Avaliar o cenário da operação

Diagnóstico rápido: qual é a maturidade dos dados da sua operação?

Avalie quantos critérios já representam a realidade atual

Marque os critérios que já fazem parte dos processos de qualidade, consistência e rastreabilidade dos dados.

Qualidade dos dados

0 de 10 critérios atendidos

0% dos critérios atendidos
0/10
Leitura do resultado

Há sinais de fragmentação e baixa rastreabilidade

A prioridade é mapear dados críticos, fontes oficiais e processos de correção antes de ampliar automações ou aplicações de IA.

O diagnóstico revelou fontes conflitantes ou dependências manuais?

Converse com a Tecnologia Única sobre os fluxos prioritários e identifique onde qualidade, integração e rastreabilidade precisam evoluir primeiro.

Como estruturar o próximo passo?

Independentemente do estágio atual, algumas etapas ajudam a reduzir incerteza antes de uma decisão maior.

1. Comece pela decisão de negócio

Escolha um processo em que a inconsistência já produz impacto, como:

  • Subscrição.
  • Precificação.
  • Emissão.
  • Sinistro.
  • Cobrança.
  • Relatório regulatório.
  • Aplicação de IA.

Esse recorte torna o diagnóstico mais concreto.

2. Identifique os dados críticos

Determine quais informações são necessárias para executar o processo e quais erros poderiam comprometer o resultado.

3. Mapeie sistemas e fontes oficiais

Registre onde cada dado nasce, por quais sistemas circula e qual fonte deve prevalecer em caso de divergência.

Uma fonte oficial não significa que o dado só possa existir em um sistema. Significa que existe uma referência reconhecida para resolver conflitos.

4. Defina regras e indicadores

Estabeleça critérios de completude, precisão, consistência, validade, atualidade e rastreabilidade.

Cada regra deve possuir responsável, frequência e procedimento de correção.

5. Registre a linhagem dos dados

Documente a origem, as transformações, os sistemas percorridos e o destino das informações críticas.

6. Priorize os problemas com impacto real

Comece pelos fluxos que já geram:

  • Retrabalho.
  • Atrasos.
  • Risco de decisão.
  • Correções recorrentes.
  • Dependência individual.
  • Dificuldade regulatória.
  • Limitação para IA.

7. Teste com um caso de uso delimitado

Antes de ampliar uma solução para toda a operação, valide a estrutura em um processo específico.

Esse teste ajuda a identificar regras ausentes, integrações frágeis e dados que ainda precisam de contexto.

8. Monitore continuamente

Qualidade de dados não termina após uma migração ou correção.

Produtos mudam, integrações evoluem, novas fontes surgem e regras de negócio são atualizadas. Por isso, indicadores e responsáveis precisam permanecer ativos.

Conclusão

A qualidade de dados em seguradoras deixou de ser um tema restrito à tecnologia.

Ela influencia a capacidade de precificar riscos, analisar sinistros, atender segurados, produzir relatórios, integrar sistemas e utilizar inteligência artificial com mais confiança.

Uma nova ferramenta pode organizar componentes e automatizar atividades. Entretanto, quando os dados continuam incompletos, duplicados ou sem origem conhecida, a tecnologia passa a operar sobre uma limitação que já existia.

Por isso, o primeiro passo não é substituir toda a arquitetura. É identificar onde a inconsistência já afeta uma decisão, definir quais dados são críticos e avaliar se a operação precisa de correções pontuais, novas integrações ou uma evolução mais ampla.

A Tecnologia Única atua na conexão entre tecnologia, operação e negócio, apoiando empresas na avaliação de sistemas, fluxos, fontes, dependências e prioridades.

Se a subscrição, a precificação, os sinistros ou os relatórios da sua operação ainda dependem de conciliações manuais, o próximo passo pode começar pelo mapeamento desses gargalos.

Transforme sinais dispersos em um diagnóstico estruturado.

Avalie fontes oficiais, divergências, rastreabilidade, integrações, responsabilidades e pontos críticos antes de definir as próximas prioridades da operação.

Estruturar diagnóstico

Perguntas frequentes sobre qualidade de dados em seguradoras

O que é qualidade de dados em seguradoras?

É o grau em que as informações de segurados, apólices, riscos, cobranças e sinistros são completas, precisas, consistentes, válidas, atuais e rastreáveis para a finalidade em que serão utilizadas.

Qual é a diferença entre qualidade e governança de dados?

A governança define políticas, responsabilidades, fontes oficiais e controles. A qualidade mede se os dados atendem aos critérios estabelecidos e identifica inconsistências que precisam ser corrigidas.

Qual é a relação entre qualidade de dados e LGPD?

A LGPD estabelece a qualidade dos dados como princípio aplicável ao tratamento de dados pessoais. Isso inclui garantir exatidão, clareza, relevância e atualização conforme a necessidade e a finalidade do tratamento.

Por que a IA em seguros depende da qualidade dos dados?

Modelos e aplicações de IA utilizam dados para treinamento, consulta, recuperação ou validação. Quando essas informações estão incompletas, desatualizadas ou fora de contexto, a aplicação pode gerar resultados menos confiáveis.

Quais são os principais sinais de baixa qualidade?

Divergências entre sistemas, cadastros duplicados, campos obrigatórios vazios, conciliações manuais, ausência de histórico, dificuldade para rastrear a origem e erros recorrentes são sinais frequentes.

Como medir a qualidade dos dados?

A seguradora pode acompanhar indicadores de completude, duplicidade, consistência, validade, atualização, rastreabilidade, reincidência de erros e tempo médio de correção.

Modernizar o core system resolve o problema sozinho?

Não. Um core system pode organizar a arquitetura e reduzir a fragmentação, mas a qualidade depende de regras, responsáveis, saneamento, validações e monitoramento contínuo.

Por onde a seguradora deve começar?

O ponto de partida é escolher uma decisão ou processo em que a inconsistência já gere custo, risco ou retrabalho. Depois, é necessário mapear dados críticos, fontes oficiais, regras e responsáveis.

Referências

[1] Planalto. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

[2] Open Insurance. Resolução CNSP nº 415/2021.

[3] Governo do Brasil. Susep estabelece Política de Governança de Dados.

[4] Deloitte. Perspectivas para o setor de seguros em 2026.

[5] Revista Apólice. 80% das empresas participantes já utilizam soluções de IA.

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