Um sistema para corretora de seguros reúne clientes, cotações, propostas, apólices, renovações, comissões e a troca de dados com as seguradoras. A escolha mais segura não parte da lista de funcionalidades: parte de como o sistema se integra a cada seguradora, do que ele registra como prova e de como os dados saem dele.
Boa parte das comparações disponíveis organiza essa decisão como uma disputa de recursos — multicálculo, CRM, funil de vendas, aplicativo, relatórios. Esses itens importam, mas explicam pouco por que duas corretoras com o mesmo sistema chegam a resultados operacionais tão diferentes.
A diferença costuma estar em camadas que não aparecem na demonstração: quantas seguradoras estão integradas de fato, para quais operações, e se o sistema consegue mostrar, meses depois, quando um documento foi entregue ou por que uma comissão veio menor.
Essas camadas ganharam peso. A Lei nº 15.040/2024, em vigor desde 11 de dezembro de 2025, fixou prazo para o corretor entregar documentos, permitiu que renovações não automáticas sejam intermediadas por outro corretor escolhido pelo segurado e estabeleceu em um ano o prazo para o corretor cobrar sua remuneração. A regulamentação da reforma tributária, por sua vez, condiciona o aproveitamento de créditos sobre a intermediação à identificação de quem adquiriu o seguro. Em comum, essas regras pedem dado estruturado por contrato — e não controles paralelos.
Este guia organiza a decisão para quem dirige ou estrutura a operação de uma corretora e, também, para seguradoras e assessorias que precisam trocar dados com a rede de corretores.
Principais pontos
- Funcionalidade não é o critério decisivo. Dois sistemas com o mesmo menu podem ter integrações muito diferentes com as mesmas seguradoras. A pergunta útil é feita por operação — cotação, proposta, apólice, endosso, parcela, comissão, sinistro — e por modo de integração.
- A Lei nº 15.040/2024 transformou rotinas em prazos. Entrega de documentos em até 5 dias úteis, renovação disputável e prescrição de 1 ano para cobrar remuneração exigem que o sistema registre datas, e não apenas status.
- A conciliação de comissões é onde a falta de estrutura costuma custar dinheiro sem aparecer, e é também onde a reforma tributária acrescenta exigência de identificação por contrato.
- Para a maioria das corretoras, um sistema de mercado bem escolhido resolve. Integração dedicada ou desenvolvimento sob medida se justificam quando o gargalo está concentrado em poucos fluxos ou quando o diferencial da operação está no próprio processo.
- A saída dos dados precisa ser negociada antes da entrada: exportação completa, formato, prazo e custo, por contrato.
O que um sistema para corretora de seguros faz e onde ele termina
Um sistema para corretora de seguros é um software de gestão voltado à intermediação: registra clientes e riscos, compara preços entre seguradoras, acompanha propostas e apólices, controla renovações e comissões e guarda o histórico de atendimento.
Na prática, o sistema de uma corretora é composto por módulos que respondem a perguntas diferentes. Cada um tem um ponto típico de falha, e é por esses pontos que vale conduzir a avaliação.
| Módulo | Pergunta que responde | Onde costuma falhar |
|---|---|---|
| Cadastro e CRM | Quem é o cliente, o que ele tem com a corretora e com quem fala. | CPF ou CNPJ duplicados e histórico espalhado entre produtores. |
| Multicálculo | Quanto cada seguradora cobra pelo mesmo risco. | Cobertura parcial de seguradoras e ramos; cálculo que não vira proposta sem redigitação. |
| Propostas e funil | Em que etapa está cada negociação. | Status atualizado manualmente, sem prazo associado. |
| Apólices e endossos | O que está vigente e com quais coberturas. | Registro da corretora diferente do contrato emitido pela seguradora. |
| Renovações | O que vence, quando e com que antecedência agir. | Controle em planilha ou em agenda individual. |
| Comissões e financeiro | Quanto a corretora deveria receber e quanto recebeu. | Extrato da seguradora sem conferência por apólice e parcela. |
| Atendimento e sinistros | O que o cliente pediu, o que foi enviado e quando. | Conversas em aplicativos de mensagem fora do registro. |
| Documentos e relatórios | O que pode ser recuperado e demonstrado. | Arquivos em pastas pessoais, sem vínculo com o contrato. |
Há um limite que precisa ficar claro desde o início. Quem emite a apólice e mantém o registro oficial do contrato é a seguradora; a corretora intermedeia, acompanha e atende. Por isso, as necessidades tecnológicas dos dois lados não são idênticas — a diferença de papéis está detalhada no conteúdo sobre sistema de gestão de apólices na seguradora.
Para a corretora, isso significa que o registro de apólices, parcelas e comissões funciona como um espelho do que existe nas seguradoras. A pergunta central da avaliação, portanto, não é apenas “o sistema guarda a apólice?”, mas “por qual meio e com que frequência esse espelho é atualizado, e o que acontece quando ele diverge?”.
Multicálculo e gestão costumam ser vendidos juntos, mas são funções distintas. O multicálculo compara preços; a gestão administra o que acontece depois da venda. Uma corretora pode ter um excelente comparador e continuar redigitando a proposta aprovada, conferindo comissões em planilha e perdendo renovações por falta de alerta.
Onde a operação da corretora trava antes de o sistema ser o problema
Os sinais de que a estrutura atual deixou de acompanhar a operação costumam aparecer no backoffice, não na venda:
- A mesma informação é digitada no portal de mais de uma seguradora e, depois, no sistema interno.
- Renovações dependem da memória do produtor ou de uma planilha compartilhada.
- O extrato de comissões é conferido no total, e não por apólice e parcela.
- Documentos são enviados ao cliente por mensagem, sem registro vinculado ao contrato.
- A carteira de um produtor fica, na prática, com o produtor — quando ele sai, parte do histórico sai junto.
- Filiais ou equipes seguem processos diferentes para a mesma operação.
Nenhum desses sinais, isolado, determina a troca de sistema. Juntos, indicam que a capacidade da equipe está sendo consumida por transferências manuais de informação e que o custo tende a crescer na mesma proporção do volume.
Quando a divergência entre o esperado e o recebido aparece meses depois, a causa costuma estar em como os dados de cada seguradora chegam à corretora e são validados.
O que a legislação passou a pedir que o sistema consiga mostrar
Nenhuma norma obriga a corretora a usar determinado software. O que existe são obrigações e prazos cujo cumprimento a corretora precisa conseguir demonstrar, e isso só é viável quando o registro é estruturado por contrato.
A tabela relaciona as regras mais diretamente ligadas à rotina da intermediação ao dado que o sistema precisa guardar.
| Regra | Base | O que o sistema precisa registrar |
|---|---|---|
| O corretor é responsável pela entrega ao destinatário dos documentos e dados que lhe forem confiados, em até 5 dias úteis — ou em prazo hábil, se houver iminente perecimento de direito. | Lei nº 15.040/2024, art. 39 | Data de recebimento e de entrega de cada documento, canal usado e comprovante. |
| Renovação ou prorrogação não automática, ou com condição mais favorável ao segurado, pode ser intermediada por outro corretor, de livre escolha do segurado ou do estipulante. | Lei nº 15.040/2024, art. 40, parágrafo único | Agenda de renovação com antecedência suficiente e histórico de contato por apólice. |
| Nos seguros com renovação automática, a seguradora deve comunicar, até 30 dias antes do término, a decisão de não renovar ou as modificações pretendidas. | Lei nº 15.040/2024, art. 53 | Aviso da seguradora capturado e vinculado à apólice e ao cliente. |
| A seguradora tem até 25 dias para comunicar a recusa da proposta, sempre com justificativa; pedidos de esclarecimento reiniciam o prazo. | Lei nº 15.040/2024, art. 49 | Data de envio da proposta, pedidos de complemento e respostas. |
| O documento probatório do contrato deve trazer nome, qualificação e domicílio do corretor que intermediou. | Lei nº 15.040/2024, art. 55, IX | Conferência da apólice recebida contra a proposta enviada. |
| A pretensão do corretor para cobrar sua remuneração prescreve em 1 ano. | Lei nº 15.040/2024, art. 126, I, “b” | Comissão esperada e recebida, por apólice e parcela, com datas. |
| As comissões de corretagem devem ser informadas aos segurados quando solicitadas. | Decreto-Lei nº 73/1966, art. 124, com redação da Lei nº 14.430/2022 | Comissão por contrato recuperável sem reconstrução manual. |
| Os créditos da intermediação podem ser aproveitados pelo segurado contribuinte da CBS no regime regular, desde que o intermediário identifique adquirentes e destinatários. | Lei Complementar nº 214/2025, art. 228, regulamentado pelo art. 325 do Decreto nº 12.955/2026 | Vínculo entre comissão, apólice e adquirente, com CPF ou CNPJ. |
Três observações ajudam a ler a tabela sem simplificar demais.
Remuneração e transparência
Antes da alteração legal de 2022, o debate girava em torno da Resolução CNSP nº 382/2020, que previa disponibilizar ao cliente, antes da contratação, o montante da remuneração pela intermediação. A Lei nº 14.430/2022 deu ao art. 124 do Decreto-Lei nº 73/1966 a redação de que as comissões devem ser informadas aos segurados quando solicitadas.
Como as duas regras são aplicadas hoje à rotina da corretora é leitura que cabe ao jurídico.
Para o sistema, a consequência é a mesma nos dois cenários: o valor da comissão precisa estar disponível por contrato, de forma rápida e confiável.Tributação da intermediação
Pelo art. 325 do Decreto nº 12.955/2026, que regulamenta o art. 228 da LC nº 214/2025, os serviços de intermediação de seguros ficam sujeitos à CBS pela mesma alíquota aplicável aos serviços de seguros; corretoras optantes pelo Simples Nacional permanecem nas regras do Simples enquanto não optarem pelo regime regular da CBS.
O enquadramento de cada corretora deve ser definido com a área fiscal.
Para clientes empresariais, o ponto operacional é identificar a intermediação por contrato, vinculando comissão, apólice e adquirente.Proteção de dados
A corretora é controladora dos dados pessoais dos clientes; o fornecedor de um sistema em nuvem tende a atuar como operador, e o contrato precisa definir responsabilidades, medidas de segurança e o tratamento de incidentes.
Em ramos de vida, saúde e previdência, a operação lida com dados de saúde, que são sensíveis. A Resolução CD/ANPD nº 2/2022 simplifica obrigações para agentes de tratamento de pequeno porte, mas exclui desse regime quem realiza tratamento de alto risco — conceito que combina critérios como larga escala e uso de dados sensíveis.
Os fundamentos dessa avaliação estão em LGPD nas empresas: adequação, governança e compliance na prática .Um sistema não torna a corretora conforme por si só. Ele torna viável demonstrar o que foi feito, quando e por quem — desde que o processo esteja definido e a equipe registre no lugar certo.
Integração com seguradoras: o critério que mais pesa e menos aparece na demonstração
Cada seguradora disponibiliza canais técnicos diferentes, e dentro da mesma seguradora o caminho pode mudar conforme a operação.
Uma cotação pode chegar por interface técnica em tempo real, enquanto a apólice emitida e o extrato de comissões chegam por arquivo periódico e o endosso continua dependendo do portal. É por isso que a afirmação “integrado com dezenas de seguradoras” diz pouco sem o detalhamento por operação.
| Modo de integração | Como funciona | Quando atende bem | Fragilidade principal | O que perguntar ao fornecedor |
|---|---|---|---|---|
| API ou webservice da seguradora | Troca direta de dados, em geral em tempo real, segundo contrato técnico publicado pela seguradora. | Cotação, transmissão de proposta e consultas de alto volume. | Depende de a seguradora manter e versionar a interface. | Quais seguradoras e quais operações estão integradas assim hoje? Quem acompanha mudanças de versão? |
| Arquivos padronizados (EDI e layouts de retorno) | Envio periódico de arquivos com apólices, parcelas, comissões ou movimentos. | Carga de apólices emitidas, extratos de comissão, baixas. | Layouts diferentes por seguradora e divergências que passam sem aviso. | O sistema valida o arquivo e aponta pendências ou apenas importa? |
| Automação sobre o portal da seguradora | Robô que navega no portal como se fosse um usuário. | Seguradoras sem interface técnica disponível para a operação. | Quebra quando o portal muda; credenciais exigem governança. | Com que frequência quebra, quem corrige e em quanto tempo? |
| Operação manual | Consulta e digitação no portal. | Baixo volume ou seguradora pontual. | Esforço cresce na mesma proporção do volume; risco de erro de digitação. | Qual é o volume real dessa seguradora na carteira? |
O instrumento prático é uma matriz seguradora × operação × modo de integração, preenchida com as seguradoras que concentram a maior parte do prêmio ou da receita de comissões da corretora. Ela transforma uma promessa comercial genérica em uma lista verificável e mostra onde o trabalho manual vai continuar existindo depois da troca.
Vale olhar também para o sentido inverso: o próprio sistema oferece API? Sem ela, conectar o site, o atendimento por mensagem, a ferramenta de BI ou o ERP contábil passa a depender de exportações manuais ou de desenvolvimento pelo fornecedor, e a corretora perde autonomia para evoluir.
Quando o esforço maior está em conferir o que a seguradora enviou contra o que a corretora recebeu, o problema é de padronização da troca de dados, e não de tela.
Veja como estruturar a troca de dados entre seguradoras e corretoras, incluindo o papel de layouts parametrizáveis e da validação automática para reduzir redigitação, divergências e controles paralelos.
Pacote de mercado, pacote com integração ou sob medida: quando cada caminho faz sentido
Não existe um caminho correto em abstrato. Cada alternativa funciona em um contexto e cobra um preço diferente em manutenção, dependência e esforço interno.
| Alternativa | Quando pode funcionar | Limitação principal | Impacto possível | Critério para avançar |
|---|---|---|---|---|
| Planilhas, e-mail e portais das seguradoras | Operação iniciante, poucas seguradoras e carteira pequena. | Tudo depende de disciplina individual. | Renovações e comissões conferidas tarde; histórico sai com quem sai. | A carteira ou a equipe cresce a ponto de ninguém ter a visão completa. |
| Sistema de gestão de mercado para corretoras | A maior parte das corretoras, com processos próximos do padrão do mercado. | O processo se adapta ao sistema; a integração se limita ao que o fornecedor já construiu. | Ganho rápido de organização, com dependência do roadmap do fornecedor. | Seguradoras relevantes da carteira não estão integradas nas operações que importam. |
| CRM genérico adaptado | Foco em prospecção e relacionamento, com gestão de apólices em outro lugar. | Não conhece apólice, endosso, parcela nem comissão. | Duas bases para reconciliar. | O custo de manter a ponte entre as bases supera o benefício do CRM. |
| Sistema de mercado com camada de integração ou automação própria | Corretoras médias e grandes, assessorias e consolidadoras com seguradoras ou fluxos que o pacote não cobre. | Exige responsável técnico e governança da integração. | Menos redigitação e conciliação no ponto crítico, sem trocar o sistema principal. | O gargalo está concentrado em poucas seguradoras, operações ou fluxos. |
| Desenvolvimento sob medida | Operações cujo diferencial está no processo: rede de corretores, produtos de afinidade, distribuição embarcada, regras comerciais próprias. | Custo de construir e, principalmente, de manter e evoluir. | Aderência ao modelo de negócio, com responsabilidade integral pela evolução. | Nenhum pacote suporta o modelo sem contornos permanentes. |
Há também o momento em que não é hora de trocar. Se não existe responsável pela renovação, se a base de clientes está duplicada ou se cada filial registra de um jeito, um sistema novo tende a reproduzir o problema com outra interface. Nesses casos, o primeiro investimento é em processo e saneamento de dados; a escolha de tecnologia vem depois e fica mais barata.
Escolha pelo multicálculo mais rápido
A primeira corretora escolhe pelo multicálculo mais rápido da demonstração e descobre depois que duas de suas três principais seguradoras chegam apenas por importação manual de arquivos. O backoffice continua conciliando comissões em planilha.
A cotação melhora, mas o trabalho operacional que cresce com o volume permanece.Escolha pela operação real da carteira
A segunda monta antes a matriz seguradora × operação, testa endosso e extrato de comissão com dados reais das três seguradoras mais relevantes e negocia a exportação de dados em contrato.
A cotação também fica mais rápida, mas a integração reduz o trabalho que mais cresce com o volume.As duas corretoras passam a cotar mais rápido. A diferença está no que acontece depois: testar os fluxos críticos da carteira antes da contratação mostra se o ganho será apenas comercial ou também operacional.
Quando a camada de integração é o problema
Se a análise aponta para a quarta ou a quinta linha da tabela, o trabalho deixa de ser escolher tela e passa a ser desenhar a troca de dados entre corretora e seguradoras. É nessa camada que a Tecnologia Única atua no mercado segurador:
EDISeg
Organiza a troca de dados entre seguradoras e corretoras por meio de layouts parametrizáveis, validação automática e alertas de pendências.
Endereça a divergência entre o que a seguradora enviou e o que a corretora recebeu.Cotadores parametrizáveis
Reúnem configuração de produtos, cotação online nos canais de venda e workflow de aceitação integrado ao sistema de administração de apólices da seguradora.
Interessa a seguradoras e assessorias que querem oferecer cotação estruturada à rede de corretores.Desenvolvimento de sistemas e integrações sob medida
Atende modelos de distribuição que o pacote de mercado não comporta.
Permite estruturar integrações e fluxos específicos quando o processo é parte do diferencial da operação.O mecanismo de valor é reduzir transferências manuais onde o dado muda de mãos. O efeito em cada operação depende do volume, das seguradoras envolvidas e da qualidade da base — e é isso que um mapeamento prévio permite estimar.
Consulte as soluções da Tecnologia Única para entender como cotação, gestão de apólices e integração entre corretoras e seguradoras podem funcionar de forma articulada.
O que costuma dar errado na escolha e na migração
Os riscos abaixo aparecem com frequência em projetos de troca de sistema de gestão em geral e ganham contornos próprios na corretagem, em que boa parte do dado pertence, na origem, a terceiros.
| Risco de execução | Por que acontece | Consequência possível | Como reduzir o risco |
|---|---|---|---|
| Escolher pela demonstração do multicálculo | É a parte mais visível e fácil de comparar. | Ganho na cotação e nenhum ganho em comissão e renovação. | Testar endosso, cancelamento e extrato de comissão com dados reais. |
| Migrar a base sem saneamento | Pressa em desligar o sistema anterior. | Clientes duplicados, apólices vencidas como vigentes, alertas de renovação errados. | Deduplicar por CPF ou CNPJ e conferir vigências antes da carga. |
| Não levar o histórico de comissões | O dado é tratado como “antigo”. | Divergências anteriores ficam sem base para cobrança. | Migrar ou arquivar em formato consultável, por apólice e parcela. |
| Contratar sem cláusula de saída | O foco da negociação está na entrada. | Dados presos em formato proprietário e dependência do fornecedor. | Definir em contrato exportação completa, formato, prazo e custo. |
| Compartilhar acessos ao sistema e aos portais | Conveniência operacional. | Sem rastreabilidade de quem fez o quê; exposição em desligamentos. | Usuário individual, perfis por função e segundo fator de autenticação quando disponível. |
| Manter o atendimento por mensagem fora do registro | É o canal preferido do cliente. | A entrega de documentos e orientações não fica vinculada à apólice. | Integrar o canal ou registrar envio e anexo no contrato. |
| Supor que “integrado” vale para todas as operações | Ambiguidade na apresentação comercial. | Redigitação continua em emissão, endosso ou sinistro. | Exigir por escrito a matriz seguradora × operação × modo. |
Quando o histórico vem de seguradoras com layouts diferentes, vale mapear integrações, regras de validação e carga de dados antes da virada para evitar que o sistema novo herde as divergências do anterior.
Critérios de decisão para avaliar o sistema atual ou um candidato
Com o diagnóstico da operação em mãos, a comparação entre fornecedores fica mais objetiva quando segue critérios equivalentes para todos:
- Cobertura real de integração: seguradoras e operações integradas, por modo, para as seguradoras que concentram a carteira.
- Conciliação de comissões: comparação automática entre esperado e recebido por apólice e parcela, com tratamento de estornos e endossos.
- Registro de prazos: datas de recebimento e entrega de documentos, envio de propostas e respostas das seguradoras.
- Renovação: alertas com antecedência configurável e visão da carteira a vencer por produtor, ramo e seguradora.
- Dados e saída: exportação completa em formato aberto, com prazo e custo definidos em contrato.
- Segurança e LGPD: perfis de acesso por função, registro de acessos e alterações, definição contratual dos papéis de controlador e operador.
- Extensibilidade: API própria para conectar site, atendimento, BI e contabilidade sem depender de exportações manuais.
- Custo total: licença por usuário, cobrança por cálculo ou por seguradora integrada, implantação, migração e treinamento, comparados em um horizonte de alguns anos e com o crescimento previsto da equipe.
- Suporte e continuidade: nível de serviço, tempo de correção quando uma integração cai e histórico de disponibilidade.
O checklist a seguir transforma parte desses critérios em condições verificáveis. Ele pode ser usado para o sistema atual ou para cada candidato em avaliação, e não atribui nota nem recomenda fornecedor.
O sistema da corretora mostra o que precisa mostrar?
Marque apenas o que o sistema atual — ou o candidato em avaliação — já faz hoje, de forma verificável. O checklist organiza perguntas para a decisão; ele não atribui nota, não compara fornecedores e não atesta conformidade.
0 de 8 condições marcadas como já atendidas
Nenhuma condição marcada ainda
Marque o que o sistema já faz hoje para ver uma leitura das lacunas mais prováveis. Enquanto nada é marcado, o checklist não faz nenhuma afirmação sobre a sua operação — e cada item não marcado já funciona, por si só, como pergunta para o fornecedor.
As respostas ficam apenas nesta página e são apagadas ao recarregá-la. Nenhum dado é salvo ou enviado.
Os itens não marcados são perguntas objetivas para a próxima conversa com o fornecedor atual ou com os candidatos. Se as lacunas se concentram na integração com poucas seguradoras, o problema pode estar na camada de troca de dados — e talvez não exija trocar de sistema.
Como estruturar o próximo passo
Uma troca bem conduzida começa antes da seleção de fornecedores. Os passos abaixo seguem uma ordem, porque cada um alimenta o seguinte:
Inventarie seguradoras e operações
Liste as seguradoras por participação no prêmio ou na receita de comissões e registre, para as principais, como cada operação chega hoje à corretora.
Meça onde vai o tempo do backoffice
Durante algumas semanas, registre o esforço com redigitação, conferência de comissões, busca de documentos e renovações. Sem essa linha de base, não há como avaliar o ganho depois.
Relacione obrigações e evidências
Use a tabela de regras deste guia e verifique quais obrigações você consegue demonstrar hoje com dados, e não com reconstrução manual.
Saneie a base
Deduplique clientes, confira vigências e organize o histórico de comissões antes de qualquer migração.
Teste com casos reais
Peça aos candidatos que executem endosso, cancelamento com estorno, comissão divergente, renovação disputada e pedido de informação de comissão pelo segurado.
Negocie o contrato completo
Saída de dados, papel de operador na LGPD, nível de serviço e responsabilidade sobre as integrações precisam estar por escrito.
Implante por etapas
Comece pelo fluxo de maior volume ou de maior retrabalho e só avance quando os indicadores medidos no passo 2 mostrarem efeito.
Medir antes de escalarConclusão
Escolher um sistema para corretora de seguros é, antes de tudo, decidir onde o dado de cada contrato vai viver e como ele vai se manter consistente com o que existe nas seguradoras.
A lista de funcionalidades importa menos do que três respostas: quais operações estão realmente integradas, o que o sistema registra como prova dos prazos e obrigações da intermediação, e em que condições os dados saem dele. Para a maior parte das corretoras, um sistema de mercado escolhido com esse roteiro resolve bem.
Quando o gargalo se concentra na troca de dados com poucas seguradoras ou em fluxos que nenhum pacote cobre, a resposta tende a estar em uma camada de integração — não necessariamente em um sistema novo.
Se a redigitação e a conciliação já estão concentradas em pontos específicos da carteira, vale avaliar onde uma integração pode reduzir trabalho manual sem exigir a troca de todo o sistema — tanto na corretora quanto na relação da seguradora com sua rede de corretores.
Perguntas frequentes sobre sistema para corretora de seguros
Não há um melhor em abstrato. O sistema adequado é o que integra, nas operações que importam, as seguradoras que concentram a carteira da corretora, concilia comissões por apólice e parcela, registra os prazos que a corretora precisa demonstrar e permite exportar os dados. Uma comparação por esses critérios costuma reduzir a lista de candidatos rapidamente.
Com poucas seguradoras e carteira pequena, planilhas e portais podem funcionar por um tempo. O ponto de virada costuma chegar quando ninguém tem mais a visão completa das renovações e comissões. Vale lembrar que os prazos da Lei nº 15.040/2024 — como a entrega de documentos em até 5 dias úteis — não variam conforme o porte da corretora.
Não. O multicálculo compara preços entre seguradoras no momento da cotação. O sistema de gestão administra o que vem depois: proposta, apólice, endossos, parcelas, comissões, renovações e atendimento. Muitos fornecedores oferecem os dois, mas vale avaliar se o resultado do cálculo segue para as etapas seguintes sem redigitação.
O valor varia conforme o modelo de cobrança — por usuário, por volume de cálculos, por seguradora integrada ou por módulo — e conforme implantação, migração e treinamento. Para comparar propostas, some esses componentes em um horizonte de alguns anos, projete o crescimento da equipe e inclua o custo do trabalho manual que continuará existindo nas seguradoras não integradas.
Saneie a base antes da carga, migre ou arquive em formato consultável o histórico de apólices e comissões e mantenha o sistema anterior em modo de consulta durante a transição. Negociar a exportação completa com o fornecedor atual antes de avisar sobre a troca evita depender de condições impostas na saída.
Pode ser, desde que o contrato defina o fornecedor como operador dos dados, descreva as medidas de segurança e o procedimento em caso de incidente, e que a corretora controle perfis de acesso e registros de uso. O local de hospedagem pesa menos do que a governança sobre quem acessa o quê — especialmente quando há dados de saúde de segurados.
Referências externas
[1] Planalto. Lei nº 15.040, de 9 de dezembro de 2024.
[3] Planalto. Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966.